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Inglaterra volta a limitar tarifa de ônibus em £2 para reduzir custo de vida e estimular uso do transporte público

Alexandre Pelegi

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, anunciou que as tarifas únicas de ônibus em toda a Inglaterra voltarão a ser limitadas em £ 2 a partir de janeiro de 2027. A medida reverte o teto de £ 3, em vigor desde o início de 2025, e integra o pacote de ações do novo governo para enfrentar o aumento do custo de vida da população.

O limite será aplicado em toda a Inglaterra, com exceção de Londres, que já possui uma política tarifária própria. A iniciativa terá validade durante todo o ano de 2027 e representa o retorno de um modelo que vigorou entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024.

Segundo o governo britânico, o programa custará mais de £ 500 milhões, recursos que também permitirão às administrações descentralizadas do Reino Unido adotar políticas semelhantes, caso optem por fazê-lo.

Ao anunciar a medida, Burnham afirmou que o transporte público deve ser tratado como um serviço essencial.

“Boas conexões de transporte acessíveis são essenciais. Ninguém deveria ser impedido de se deslocar por causa do preço”, declarou o primeiro-ministro.

Experiência de Manchester inspirou a política nacional

Antes de assumir o governo britânico, Andy Burnham foi prefeito da Grande Manchester, onde implantou o sistema Bee Network, que retomou o controle público da operação dos ônibus por meio do modelo de franquias.

Durante sua gestão, a região manteve o teto de £ 2 mesmo após o governo anterior elevar o limite nacional para £ 3. A experiência passou a ser apresentada por Burnham como exemplo de que tarifas mais baixas podem ampliar a utilização do transporte coletivo sem comprometer a qualidade do serviço.

A Bee Network também promoveu maior integração entre ônibus, metrô e outros modos, simplificando deslocamentos e fortalecendo a mobilidade regional.

Governo afirma que medida está totalmente financiada

De acordo com o governo britânico, aproximadamente £ 400 milhões serão obtidos por meio da substituição de parte dos investimentos internacionais em financiamento climático por operações de crédito, enquanto os demais recursos virão de remanejamentos orçamentários nos ministérios da Energia e dos Transportes.

A secretária de Transportes, Heidi Alexander, afirmou que a redução das tarifas representa “um alívio para o orçamento das famílias” e reforça a prioridade dada pelo novo governo ao transporte público.

O anúncio faz parte de um conjunto mais amplo de medidas voltadas ao custo de vida, entre elas a redução do IVA incidente sobre as contas de energia elétrica.

Debate político

A decisão recebeu apoio do Trades Union Congress (TUC), principal central sindical britânica, que considerou positiva a redução das tarifas por favorecer trabalhadores, empresas e economias locais.

Já a oposição conservadora criticou o aumento da participação do Estado na economia e questionou a sustentabilidade fiscal das novas medidas anunciadas pelo governo.

Transporte acessível deixa de ser política setorial para se tornar política econômica

A decisão do governo britânico reforça uma tendência observada em diversos países: o transporte público passa a ocupar espaço central nas estratégias de desenvolvimento econômico e de proteção social.

Ao justificar a redução das tarifas como uma medida de combate ao aumento do custo de vida, o governo desloca o debate sobre ônibus para além da mobilidade. O transporte coletivo deixa de ser visto apenas como um serviço urbano e passa a ser tratado como infraestrutura essencial para garantir acesso ao emprego, à educação, à saúde e às oportunidades econômicas.

Essa abordagem dialoga diretamente com discussões presentes no Brasil. Diversos estudos desenvolvidos pela ANTP ao longo das últimas décadas demonstram que o custo da tarifa influencia não apenas a escolha do modo de transporte, mas também o acesso da população à cidade e às atividades econômicas. Tarifas mais acessíveis podem ampliar a inclusão social, reduzir desigualdades e aumentar a atratividade do transporte coletivo frente ao automóvel.

Outro aspecto relevante é que a medida britânica está associada à reorganização do financiamento público do transporte, evidenciando que políticas tarifárias dependem de fontes permanentes de recursos e de decisões orçamentárias consistentes. Trata-se de um tema que também ganha cada vez mais importância no debate brasileiro, especialmente diante das discussões sobre novos modelos de financiamento para garantir sistemas mais sustentáveis, eficientes e socialmente inclusivos.

A experiência inglesa reforça, portanto, que políticas tarifárias não devem ser analisadas apenas pelo valor cobrado do passageiro, mas pelos benefícios econômicos, sociais e ambientais que um transporte coletivo mais acessível pode produzir para toda a sociedade.

Fonte: http://www.antp.org.br/noticias/destaques/inglaterra-volta-a-limitar-tarifa-de-onibus-em-2-para-reduzir-custo-de-vida-e-estimular-uso-do-transporte-publico.html

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